sexta-feira, 25 de maio de 2018

CONVERSANDO SOBRE CINEMA E DIALOGANDO CONCEITOS



               
“Àqueles que compreenderam que o conhecimento histórico é incompatível com preconceitos e como é importante o combate por cinema-história!”  (Nóvoa, 2012)


Fotografia: Vítor 

No dia 27/04/2018, aconteceu o primeiro encontro do Grupo de Estudos Cinema-História da UFRRJ-IM, de 2018.1. Contamos com a apresentação “Conversando sobre Cinema e Dialogando Conceitos”, sendo responsável pela mesma a aluna Luiza Braga, graduanda em História na UFRRJ-IM. A palestra teve como base o livro Cinema-História teoria e representações sociais do cinema. Além disso, a apresentação foi complementada por comentários do Prof. Dr. José D’ Assunção Barros.
 Ademais, todos os alunos que estavam presentes puderam colaborar e em suas falas abordaram questões sobre o tema proposto, trazendo suas leituras de mundo, especialmente quando se trata de Cinema e História, na perspectiva cinema-história, o que nos fez alcançar o principal objetivo do Laboratório de Pesquisas em Teoria da História e Interdisciplinaridades (LAPETHI). Estávamos todos unidos no objetivo do desenvolvimento do conhecimento, proporcionando a troca de saberes, aprendizados e informações.
Nesse sentido, aproveitamos a oportunidade de estarmos reunidos em um número considerável e primeiramente apresentamos o Laboratório de Pesquisas em Teoria da História e Interdisciplinaridades (LAPETHI), sendo importante lembrar que, nesse contexto, as interdisciplinaridades correspondem tanto a diálogos com saberes próximos à História (Antropologia, Sociologia, Comunicação, Geografia e outros) como interações com as diversas formas de expressão artística, tais como o Cinema, Música, Literatura, Pintura e Teatro. Além disso, tendo sido o primeiro encontro do semestre, foram explicados os objetivos acadêmicos do laboratório, bem como suas linhas de pesquisa: História e Interdisciplinaridade; Teoria da História e Conceitos; Teoria da História e Experimentação; Teoria da História e Historiografia; e, por fim, Cinema-História – sendo esta última a linha que temos desenvolvido mais ativamente no âmbito da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
O grupo de Estudos Cinema-História – que tem desenvolvido esta linha de pesquisa específica do LAPETHI – tem agregado alunos e ex-alunos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e de outras, e tem contado com a participação de outros palestrantes. Dentre suas realizações, destaca-se o Blog Cinema-História, alimentado em postagens produzidas pelos componentes do LAPETHI e, mais especificamente, do Grupo de Estudos Cinema-História, além de pesquisadores e colaboradores voluntários da UFRRJ-IM e de outras universidades que se interessem pelas pesquisas desenvolvidas. Vale a pena lembrar que o convite à participação foi lançado aos presentes e está lançada a todos os interessados!
Após as devidas apresentações, demos início ao estudo de nosso primeiro encontro. Discutimos o artigo Apologia da Relação Cinema-História, escrito por Jorge Nóvoa, que está incluído dentre os artigos do livro Cinema-História teoria e representações sociais no cinema, sendo o primeiro artigo do livro. Cabe lembrar que Jorge Nóvoa é doutor em Sociologia pela Universidade de Paris VII – Denis Diderot, e atualmente professor na UFBA, além de coordenar a Oficina Cinema-História (UFBA) e ser editor da Revista o Olho da História (UFBA). Indubitavelmente, o texto analisado, de autoria de Jorge Nóvoa, é fundamental para entender o conceito de cinema-história e a perspectiva acadêmica que ele representa, a qual seguimos nos estudos relacionados ao cinema no LAPETHI.
Adicionalmente, o artigo aborda elementos fundamentais não apenas para circunscrever o conceito central ali discutido, mas também para tanger os estudos acadêmicos que possuem vínculos interdisciplinar com o cinema. Em vista disto, nosso olhar se direcionou, primeiramente, para pontos os quais o autor propõe serem essenciais para estudar a história pelo cinema e vice-versa, conhecer o cinema e suas especificidades, “sujando-nos com o barro da história”, manipulando tanto os estudos de cinema como de história de maneira empírica em seus aportes.
Em um segundo momento, refletimos sobre as críticas do autor relacionadas à superioridade da escrita na narrativa histórica, ao conceito de ideologia e às características geradas pela manutenção do capitalismo em nossas sociedades contemporâneas. Nesse sentido nos debruçamos no momento em que o autor explicita sobre a transformação do filme em fontes, sendo fundamentais as suas palavras: “Para isso, é preciso criar uma nova mentalidade. É indispensável tratar o cinema como fonte para o conhecimento.”(p.42).
Após essa primeira sessão de reflexões, discorremos sobre a função do filme como elemento didático. Esta, no texto, está relacionada à história, mas nos comentários estendemos as mesmas implicações para outras áreas de conhecimento. Daí surgem duas questões fundamentais, comentadas pelo autor e que valem a pena ser rememoradas: primeiro o despertar e desenvolver, nos estudantes, do gosto pela interpretação e polêmica; segundo, a importância e necessidade de se atentar para a complexidade que envolve a linguagem cinematográfica com vistas a saber qual tipo de filme escolher. Nesse sentido, seguimos para pensar o que o autor chama de atividade formadora e explicita nos termos de ir além do desenvolvimento crítico dos alunos.
Finalizamos nossa leitura do artigo, mas não de nossos estudos, refletindo e tecendo diálogos sobre a criação, o desenvolvimento, manutenção e importância de Laboratórios de Pesquisas em instituições de ensino, acadêmicas, públicas e privadas, objetivando o diálogo sem muros, de maneira a que todos, democraticamente, possam partilhar de informação, saberes e conhecimento.

Referências
 NÓVOA. Jorge. Apologia da relação cinema-história In: Cinema-História teoria e representações sociais no cinema. Petrópolis: Apicuri, 2012.

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